“VIVER CADA MOMENTO COMO SE FOSSE O ÚLTIMO”

Padrão, Sarau, Saúde - 01/05/2009

Nestes dias tenho escrito por vezes ao meu Mestre, Annibale, mostrando-me preocupada com alguns familiares, alguns muitos, com o mal de Alzheimer. Alguns em estágio inicial, outros já bem mais avançados. Nem todos são familiares consanguíneos, alguns muitos outros são até pais de amigos próximos…São muitos, são quase todos os mais idosos, variando de 70 e pouco a 80 e poucos anos.
É quase um desabafo ao nosso Universo que me tem parecido extremamente cruel conosco e com eles, nossos velhos. Com eles, porque tornaram inúteis todas as coisas boas que fizeram a nós… Hoje, estão se esquecendo de si, de nós, de todos, de tudo.
Estão caindo numa vala comum sem história, sem passado, presente ou mesmo futuro. Sem nada. Apenas o vazio. O indiferenciado mundo do mundo sem arquivos, apenas um arquivo morto. E de nós, porque estamos assustamos com nosso futuro não muito longe. Como vencer o inimigo inverossímil? como debelar o arqueiro nas trevas?
Nestes dias tenho passado por uma transformação incrível. Não consigo mais me levantar como até a alguns meses atrás lá pelas 5h da manhã (hora do declínio da energia Yin e crescimento da energia Yang. Hora, segundo o mestre Van Nghi, ideal e certa para nosso intelecto produzir e termos boa saúde mental).
Acordo nesse horário, mas durmo até 8 ou 9h da manhã. E, hoje cometi a eresia máxima de acordar com o sol a pino, lá pelo meio dia, mesmo tendo ido dormir em horário normal, umas 22h. O que isto tem a ver com texto abaixo? Talvez tudo.
Penso que estou recebendo o recado de que os tempos são outros… que é necessário eu dar um passo atrás para mais tarde poder dar dois passos à frente. Penso que seja isso. Tomara que não esteja entendendo o recado erradamente. Geanete
Leiam e reflitam o texto abaixo de autor desconhecido que tirei do site www.alzheimermed.com.br :

“Naquela manhã, sentiu vontade de dormir mais um pouco. Estava cansado porque na noite anterior fora deitar muito tarde. Também não havia dormido bem.

Tinha tido um sono agitado. Mas logo abandonou a idéia de ficar um pouco mais na cama e se levantou, pensando na montanha de coisas que precisava fazer na empresa.

Lavou o rosto e fez a barba correndo, automaticamente.

Não prestou atenção no rosto cansado nem nas olheiras escuras, resultado das noites mal dormidas. Nem sequer percebeu um aglomerado de pelos teimosos que escaparam da lâmina de barbear. “A vida é uma seqüência de dias vazios que precisamos preencher”, pensou enquanto jogava a roupa por cima do corpo.

Engoliu o café e saiu resmungando baixinho um “bom dia”, sem convicção.

Desprezou os lábios da esposa, que se ofereciam para um beijo de despedida.

Não notou que os olhos dela ainda guardavam a doçura de mulher apaixonada, mesmo depois de tantos anos de casamento. Não entendia por que ela se queixava tanto da ausência dele e vivia reivindicando mais tempo para ficarem juntos. Ele estava conseguindo manter o elevado padrão de vida da família, não estava? Isso não bastava?

Claro que não teve tempo para esquentar o carro nem sorrir quando o cachorro, alegre, abanou o rabo. Deu a partida e acelerou. Ligou o rádio, que tocava uma canção antiga do Roberto Carlos, “detalhes tão pequenos de nós dois…

” Pensou que não tinha mais tempo para curtir detalhes tão pequenos da vida. Anos atrás, gostava de assistir ao programa de Roberto Carlos nas tardes de domingo. Mas isso fazia parte de outra época, quando podia se divertir mais.

Pegou o telefone celular e ligou para sua filha. Sorriu quando soube que o netinho havia dado os primeiros passos. Ficou sério quando a filha lembrou-o de que há tempos ele não aparecia para ver o neto e o convidou para almoçar.

Ele relutou bastante: sabia que iria gostar muito de estar com o neto, mas não podia, naquele dia, dar-se ao luxo de sair da empresa. Agradeceu o convite, mas respondeu que seria impossível. Quem sabe no próximo final de semana?

Ela insistiu, disse que sentia muita saudade e que gostaria de poder estar com ele na hora do almoço. Mas ele foi irredutível: realmente, era impossível.

Chegou à empresa e mal cumprimentou as pessoas. A agenda estava totalmente lotada, e era muito importante começar logo a atender seus compromissos, pois tinha plena convicção de que pessoas de valor não desperdiçam seu tempo com conversa fiada.

No que seria sua hora do almoço, pediu para a secretária trazer um sanduíche e um refrigerante diet. O colesterol estava alto, precisava fazer um check-up, mas isso ficaria para o mês seguinte.. Começou a comer enquanto lia alguns papéis que usaria na reunião da tarde. Nem observou que tipo de lanche estava mastigando. Enquanto engolia relacionava os telefones que deveria dar, sentiu um pouco de tontura, a vista embaçou. Lembrou-se do médico advertindo-o, alguns dias antes, quando tivera os mesmos sintomas, de que estava na hora de fazer um check-up. Mas ele logo concluiu que era um mal-estar passageiro, que seria resolvido com um café forte, sem açúcar.

Terminado o “almoço”, escovou os dentes e voltou à sua mesa. “A vida continua”, pensou. Mais papéis para ler, mais decisões a tomar, mais compromissos a cumprir. Nem tudo saía como ele queria. Começou a gritar com o gerente, exigindo que este cumprisse o prometido. Afinal, ele estava sendo pressionado pela diretoria. Tinha de mostrar resultados. Será que o gerente não conseguia entender isso?

Saiu para a reunião já meio atrasado. Não esperou o elevador. Desceu as escadas pulando de dois em dois degraus. Parecia que a garagem estava a quilômetros de distância, encravada no miolo da terra, e não no subsolo do prédio.

Entrou no carro, deu partida e, quando ia engatar a primeira marcha, sentiu de novo o mal-estar. Agora havia uma dor forte no peito. O ar começou a faltar… a dor foi aumentando… o carro desapareceu… os outros carros também… Os pilares, as paredes, a porta, a claridade da rua, as luzes do teto, tudo foi sumindo diante de seus olhos, ao mesmo tempo em que surgiam cenas de um filme que ele conhecia bem. Era como se o videocassete estivesse rodando em câmara lenta. Quadro a quadro, ele via esposa, o netinho, a filha e, uma após outra, todas as pessoas que mais gostava.

Por que mesmo não tinha ido almoçar com a filha e o neto?

O que a esposa tinha dito à porta de casa quando ele estava saindo, hoje de manhã? Por que não foi pescar com os amigos no último feriado? A dor no peito persistia, mas agora outra dor começava a perturbá-lo: a do arrependimento. Ele não conseguia distinguir qual era a mais forte, a da coronária entupida ou a de sua alma rasgando.

Escutou o barulho de alguma coisa quebrando dentro de seu coração, e de seus olhos escorreram lágrimas silenciosas. Queria viver, queria ter mais uma chance, queria voltar para casa e beijar a esposa, abraçar a filha, brincar com o neto… queria… queria… mas não deu tempo…

Para entender o valor de um ano: pergunte a um estudante que não passou nos exames finais.

Para entender o valor de um mês: pergunte a uma mãe que teve um filho prematuro.

Para entender o valor de uma semana: pergunte ao editor de uma revista semanal.

Para entender o valor de uma hora: pergunte aos apaixonados que estão esperando o momento do encontro.

Para entender o valor de um minuto: pergunte a uma pessoa que perdeu o trem, ônibus ou avião.

Para entender o valor de um segundo: pergunte a uma pessoa que sobreviveu a um acidente.

Para entender o valor de um milisegundo: pergunte a uma pessoa que ganhou uma medalha de prata nas Olimpíadas.

O tempo não espera por ninguém.

Valorize cada momento de sua vida.

Você irá apreciá-los ainda mais se puder dividí-los com alguém especial”.

2 comentários
  • Regina Bicudo Krempel

    Os dois textos me levaram a uma grande reflexão: o primeiro me transportou para o passado,onde convivi de perto com tal situação, pois minha mãe, outrora uma pessoa dinamica/alegre, faleceu aos 82 anos,consequencia do alzheimer durante 4 anos e no estagio final, encontrava-se como descreve a frase, no texto:”Hoje estão se esquecendo de si,de nós,de todos de tudo…o indiferenciado mundo do mundo sem arquivos, apenas um arquivo morto….”
    O segundo texto : o “alzheimer” da pressa, do “sem tempo”, da indiferença, coisas muito comum hoje em dia, dentro de uma sociedade competitiva, onde adquirir bens materiais torna-se mais importante, do que trabalhar os sentimentos,as coisas espirituais.Esse texto é um alerta aos nossos jovens, para que estes não desenvolvam o “alzheimer”precosemente.
    Parabéns.
    Abraços.

  • Querida amiga Regina,
    Obrigada pelo depoimento. Vou te responder com outro artigo que creio se faz necessário neste início de século onde ainda aposto minhas fichas de que provavelmente por aqui, no Brasil, alguns dos nossos grandes mestres cientistas descobrirão como evitar e/ou mesmo curar esse mal que nos enche de temor após convivermos tão proximamente com seus portadores.
    Abraços a vc e à linda Aracaju. Geanete

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