Viver cada momento como se fosse o último – Alzheimer II

Ciências, Padrão, Saúde - 02/05/2009

Regina postou o seguinte comentário em nosso artigo anterior “Viver cada momento como se fosse o último”.

- Os dois textos me levaram a uma grande reflexão: o primeiro me transportou para o passado, onde convivi de perto com tal situação, pois minha mãe, outrora uma pessoa dinâmica/alegre, faleceu aos 82 anos, consequência do alzheimer de 4 anos e no estágio final encontrava-se como descreve a frase, no texto: Hoje estão se esquecendo de si, de nós, de todos, de tudo? o indiferenciado mundo do mundo sem arquivos, apenas um arquivo morto?.
O segundo texto: o alzheimer da pressa, do sem tempo, da indiferença, coisas muito comum hoje em dia, dentro de uma sociedade competitiva, onde adquirir bens materiais torna-se mais importante do que trabalhar os sentimentos, as coisas espirituais. Esse texto é um alerta aos nossos jovens, para que estes não desenvolvam o alzheimer precocemente.

Ao ler seu comentário percebi que ainda há muito para se ver, para se pensar e para se agir diante da possibilidade de pensarmos que não muito distante pode estar o dia de muitos de nós assistir à nossa impotência diante do mal que nos cala em vida. E, cara amiga Regina, até está nascendo uma semente em nossa família para um pleno engajamento na luta a favor da velhice ciente e consciente pelos de minha geração. Algo como: Pela vida! Até nosso último suspiro..
Prá vocês, caros amigos leitores, que não sabem da importância dos amigos eternos, minha amiga Regina ocupa esse lugar desde a época do meu curso de Letras ? 1972 a 1975 ? quando fazia parte de uma das turmas do curso de Ciências Sociais da Fundação Santo André no sítio de Tangará. Nós nos cruzamos nesta vida por pertencermos a um grupo seleto de estudantes que de tão seleto permanecem amigos até os dias de hoje e, provavelmente, continuarão pelos céus afora.
Pois bem, a Regina postou ontem esse seu comentário no nosso Blog por ter convivido com o mal de Alzheimer durante quatro anos, época em que deu assistência direta a sua mãe e conheceu a verdade sobre esse mal.
Regina, li seu comentário, reli minha reflexão de ontem sobre o texto retirado do site abaixo e me senti no dever de relembrar passagens que estão ficando aparentemente distantes do nosso cotidiano, talvez apenas enquanto não bater às nossas portas alguém com DM (doença de Alzheimer – fruto de algo demoníaco, demoníaco por não termos ainda nenhuma conclusão concreta sobre o que a gera, o que a desencadeia ).
Deixo, aqui algumas definições e considerações dessa doença retiradas do site acima com o objetivo de tê-los a disposição imediata daqueles que nos acompanham e passam por situações semelhantes as que você já passou. Muitos outros aspectos científicos podem ser lidos e vistos diretamente no próprio site:
www.alzheimermed.com.br que entre outras informações diz:

?A doença de Alzheimer (DA) pronuncia-se (AU-ZAI-MER) é uma doença degenerativa, progressiva que compromete o cérebro causando: diminuição da memória, dificuldade no raciocínio e pensamento e alterações comportamentais?.

?Definida por muitos como mal do século, peste negra, epidemia silenciosa, etc. a DA é ainda pouco conhecida em nosso meio e tem efeito devastador sobre a família e o doente?.

?Tida como uma doença rara, conhecida erroneamente como esclerose pela população em geral, a doença de Alzheimer representa para a comunidade sério ônus social e econômico?.

?A DA pode manifestar-se já a partir dos 40 anos de idade, sendo que a partir dos 60 sua incidência se intensifica de forma exponencial.
Existem relatos não documentados de DA aos 28 anos de idade?.

?Nos EUA, 70 a 80% dos pacientes são tratados em seus domicílios, demonstrando com clareza a importância da orientação para a família nas questões relativas aos cuidados e gerenciamento desses
pacientes. O restante dos doentes está sob os cuidados de clínicas especializadas. 60% dos residentes em asilos apresentam alguma forma de demência?.

?Os sintomas mais comuns são: perda gradual da memória, declínio no desempenho para tarefas cotidianas, diminuição do senso crítico, desorientação temporo-espacial, mudança na personalidade, dificuldade no aprendizado e dificuldades na área da comunicação?.

?O grau de comprometimento varia de paciente para paciente e também de acordo com o tempo de evolução da doença. Na fase final o paciente torna-se totalmente dependente de cuidados?.

?Por ser uma doença crônica de evolução lenta (podendo durar até 20 anos) e somando-se o fato de que, nas fases avançadas, o paciente torna-se completamente dependente, incapaz por si só de alimentar-se, banhar-se ou vestir-se. O impacto econômico sobre a sociedade é considerável?.

?Dados estatísticos demonstram que nos EUA, em 1986 foram gastos de 25 a 40 bilhões de dólares. Outras estimativas, como a de Stone, prevêem cifras astronômicas de 720 bilhões de dólares em 2030, baseando-se em 7% de inflação anual, com crescimento de 22% de população com mais de 60 anos?.

?Atualmente, a DA custa a cada ano à sociedade norte-americana cerca de 100 bilhões de dólares, sendo que o governo arca com pouco mais de 10 bilhões. Isto quer dizer que mais de 90 bilhões de dólares são gastos pelos pacientes e suas famílias em exames complementares e cuidados prestados diretamente ao paciente?.

?Cerca de 4 milhões e 500 mil de americanos, atualmente, são portadores de DA, que é responsável por 100.000 óbitos por ano sendo a quarta causa de morte em adultos?.

?Estima-se que no ano 2040, 12 a 14 milhões de americanos serão portadores de doença de Alzheimer. O número de pacientes no Brasil é estimado em 1 milhão e 200 mil e de 18 milhões no mundo?.

?Em função do envelhecimento mundial global esse número aumentará dramaticamente e em 2025 serão 34 milhões de portadores sendo 2/3 em países em desenvolvimento”.

?Como se trata de doença que acarreta grande impacto no seio familiar e estimando-se em média 3 familiares direta ou indiretamente envolvidos, o número assustador de mais de 13 milhões de pessoas nos EUA são de alguma forma atingidos por essa verdadeira epidemia?.

?Devido a essa abrangência, a doença de Alzheimer ultrapassa as fronteiras da medicina, para se converter num problema de ordem econômico-social, com particular e especial repercussão no núcleo familiar?.

?Sabe-se que, a partir dos 65 anos, de 10 a 15% dessa população será afetada e que a partir dos 85 anos, praticamente a metade dos indivíduos apresentará a doença?.

?Sabendo que a família média brasileira é composta de 3 a 4 pessoas, somos remetidos a cifras assustadoras, uma vez que desse modo a doença de Alzheimer atinge direta ou indiretamente mais de 4 milhões de indivíduos no nosso país. Esse contingente enorme de pacientes indefesos e dependentes de cuidados diuturnos cresce constantemente e inexoravelmente devendo merecer especial atenção das autoridades responsáveis pela saúde pública?.

Negar esses dados é negar a realidade.

?Alguns estudos demonstraram que, enquanto a incidência aos 80 anos é de aproximadamente 20%, aos 85 anos é de 40%, ou seja, o dobro em 5 anos. Em resumo, do ponto de vista científico, pode-se afirmar que a incidência da doença de Alzheimer aumenta exponencialmente com a idade e que existem fortes indícios de que as formas precoces se relacionam com uma maior incidência familiar?.

?Vários estudos demonstraram que a doença de Alzheimer (DA) é uma doença idade-dependente e que o risco aumenta em familiares demonstrando que a genética está fortemente relacionada. Aproximadamente 40% dos pacientes possuem no seu histórico um antecedente familiar, especialmente em famílias longevas?.

?Entretanto, a definição da contribuição genética é difícil de ser determinada com clareza em função das dificuldades técnicas desse tipo de investigação além do fato de não haver um instrumento diagnóstico preciso antemortem. A hereditariedade está muito mais marcada na chamada DA familiar (15 a 20%), cujo início é precoce, entre – antes dos 65 anos de idade – do que na DA esporádica ( 80 a 85%) caracterizada por seu aparecimento em idades mais avançadas”.

Ainda constam entre tantas excelentes orientações e/ou definições, ou mesmo constatações do site www.alzheimermed.com.br :

VISÃO E AUDIÇÃO
O comprometimento dos órgãos do sentido pode perfeitamente ser o responsável por alterações de comportamento, orientação etc.

DEFICIÊNCIAS NUTRICIONAIS
A deficiência de vitamina B12, ácido fólico e niacina (ácido nicotínico ou vitamina B3), deve ser investigada por ser causa freqüente de quadros demenciais reversíveis, especialmente em alcoólatras (síndrome de Wernicke-Korsakov), que se caracteriza por amnésia e confabulação secundárias ao álcool, por deficiência de tiamina (vitamina B1).

OUTRAS CAUSAS
?Estados de estresse ambiental, isolamento, hospitalização, grandes cirurgias, intoxicação química por arsênio, chumbo ou mercúrio, monóxido de carbono, hipotermia, doenças crônicas pulmonares com hipóxia, carcinomatose, anemia e alcoolismo podem estar envolvidos nos distúrbios de ordem comportamental? (sem necessariamente se caracterizar uma DA).

?A hidrocefalia de pressão normal também deve ser excluída a partir de seu quadro clínico clássico: demência, distúrbios na marcha e incontinência urinária?.

Reiteramos que os paragráfos entre ” “ foram retirados do site: www.alzheirermed.com.br

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2 comentários
  • Regina Bicudo Krempel

    Seus textos me deixaram extremamente emocionada: primeiro por fazer alusão a nossa amizade, pois realmente fazemos parte de um grupo seleto de amigos que espero conservar até o fim de minha vida. Segundo, devido a descrição dos sintomas de quem tem Alzheimer. O 6º parágrafo – “os sintomas mais comuns são…”-retrata exatamente essa doença, que aniquila e nos deixa impotente diante dela, pois ainda não se descobriu a cura e de como evitar a progressão vertiginosa da mesma. Os remédios existentes são meros paliativos….e só nos resta ver nosso ente querido se fechar a cada dia, mais e mais… para o mundo que o cerca….
    Abraços.

  • Olá!
    Regina, o primeiro texto nos deu uma alegria imensa entre a realidade e o possível. Primeiro, seu contato direto comigo via o blog e depois, uma mensagem via e-mail do nosso grande e velho amigo, Edson – o Zeca.
    Ele me enviou uma música dele com o Dedo dedicada a todos os “alzimeres”, como ele assim definiu. O nome dela é Veredas. Pena não poder editá-la por aqui para que todos os nossos leitores a ouvissem.
    Abraços! Geanete

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