Carta do Prof. Paulo Freire a Lula e Universitários foram às ruas de Santo André … 06 de outubro… / E FORAM!!!
“A você, meu abraço fraterno”
Carta inédita escrita para Luiz Inácio Lula da Silva há quase duas décadas. Paulo Freire foi um dos fundadores do PT.
?Meu caro Lula,
Gostaria de fazer chegar a você meu abraço fraterno e, com ele, palavras de companheiro, carregadas de um muito obrigado pela força, pela coragem, pela dedicação com que você lutou pela democracia e pelos interesses maiores de nossa luta.
Valeu a pena viver o tempo que já vivi para ver um filho do povo enfrentando a mentira, o engodo, a farsa, engajado na reivindicação de nosso país, “sem medo de ser feliz”.
Para você e Marisa, o carinho de Nita e meu.
Paulo Freire
São Paulo, 9 de setembro de 2002???
Sim, foram e fomos também.
Como soube por telefone que a concentração no paço municipal iria ser lá pelas 14h, sai daqui do velho Baeta – bairro antigo de SBC – umas 13:30h sob um céu de brigadeiro. Peguei o trólibus e me dirigi a Sto. André. Caminho curto, mas com o calor indicando uma tarde dificil. O ônibus repleto de mulheres, casais e crianças vindo das compras com sacolas exibindo marcas do consumismo que antecede a semana das crianças…aqui cabe um parentêses.
(Os pais que nessa semana se desmancham em banho de brinquedos para as crianças poderiam ou deviam estar aproveitando a semana para reivindicarem, exigirem melhores condições para suas crianças, para as crianças da nossas cidades, para as crianças do mundo. Já pensaram se todo o dinheiro gasto em propaganda e mesmo em compra nessa semana revertessem para a retirada das crianças da cracolândia? da esquina do shopping Metrópole ou mesmo pro “joãozinho” que tem em casa um monstro que o espanca, o desagrega e… de repente tudo fica bem melhor? essas crianças estão em nossos bancos escolares durante uma vida nossa e fomos impotentes na transformação. Somos apenas professores e cidadãos. Cidadãos?! Sim, cidadãos que há décadas não conseguem mudar, tentam, mas não conseguem. Mas esse assunto deixaremos para os próximos artigos desta semana que hoje iniciamos, a semana da criança).
Voltemos aos meninos da fundação que ontem sairam do campus universitário da Fundação Sto André em passeata rumo ao paço municipal.
Depois desse olhar dentro do ônibus, desço em frente ao paço. Lá onde em tempos anteriores minhas crianças iam dar pipoca aos gansos durante a feira artesanal que lá acontecia aos sábados. Desculpem os ecologistas, hoje temos a consciência e não fazemos mais isso para não matar os bichinhos. Lá se foram 25 anos.
Tiago dá comida aos gansinhos. Maíra dorme.
Vejo ao longe algumas pessoas sentadas na escada de entrada para a cãmara municipal. Me aproximo e me dirijo a uma senhora que a mim parece ser professora. Como parece? não me perguntem, mas com meus quase 25 anos de professora tenho essa percepção. Me apresento e começamos a conversar.
Ela me conta que está apoiando os meninos desde o início do movimento que já dura mais de 20 dias. Desde que a reitoria anunciou um aumento não inferior a 125% aos diversos cursos. Me conta o que já vimos estampado nos jornais da cidade, o espancamento dos meninos pela tropa de choque na calada da madrugada quando eles haviam decidido permanecer na reitoria. Uma casa antiga de onde o reitor atual despacha sob a égide dos políticos locais que se instalam e comandam a Fundação como se não fôssemos nós que os pagássemos com nossos impostos e as mensalidades dos nossos filhos… como se eles não fossem nossos empregados.
Então, seu Lula? como fica a tropa de choque? como fica a Vila Euclides em sua memória? ainda a tem?
Ah, não tem nada a ver com isso? concordo que a ordem não saiu de Brasília, mas sim de uma esquina qualquer de Santo André. De um beco administrativo onde devia estar alguém que como os pais de muitas crianças que passam por nós na escola pública espancam, “detonam” e nos entregam elas como crianças de inclusão, inclusão social.
Mas é fácil, não é Sr. Lula, sermos fortes com os escudos e os cacetetes a nos protegerem, não acha? Não era isso que pensava quando percorríamos as ruas de SBC pela liberdade de espressão e de negociação junto aos seus patrões?
Não tem ou não sabe o que fazer? ora, ora… já não tem acesso aos seus filiados? Ou será que o prefeito e sua corriola, corriola não, fica um termo não muito próprio a um professor, não acha? suas acessorias estão em vias de deligamento do nosso partido?
Veja, quer dizer perceba, não faça de uma negociação um caso de polícia.
Polícia é para conter os desagregados pela má gestão política de séculos e não para conter meninos… estudantes e trabalhadores.
Polícia é para nos proteger e não para nos arregaçar. Opa, outro deslize com as palavras da norma culta. Polícia não é para espancar o povo que minimamente te elegeu.
Ou pensa que dentre todos que estão lutando pelas causas públicas neste momento, nenhum deles votou em seu governo?
Mas voltemos a Sto. André. À Fundação.
A não resolvermos esta situação através do diálogo político o mais breve possível, provavelmente, os admnistradores petistas da região estarão criando um caso de proporções dentro da educação da região. Por falar nisso, o Prof. Luizinho sumiu mesmo de Sto André. hein?!!!!
O primeiro passo, realmente deve ser a retirada do “Sr. Reitor”.
Por que do sr. reitor e não o seu nome próprio? Porque existem pessoas que passam pela educação. Muitas que ninguém tem o prazer de lembrar, e não lembrarão, como não foi o caso do nosso querido Prof. Paulo Freire que se visse o que acontece em seu governo na área da educação como foi o caso recente da USP e agora o nosso, não acreditaria ser o governo Lula do qual foi mentor espiritual por décadas.
Não sei se você já leu, se não leu vale a pena dar uma espiadinha no livro do mestre Paulo Freire: “A Pedagogia dos Oprimidos” ou também em “A Pedagogia da Esperança”, mas se nehum desses for de seu agrado pode escolher outro em:
http://www.paulofreire.org/pf_livros.htm.
Afinal, Paulo Freire foi um dos seus grandes professores na Universidade da Vida, não foi?
Infelizmente, não foi professor desses que hoje ocupam o governo de Sto André e a Reitoria da Faculdade onde estudamos e te conhecemos, Fundação Sto André.
Dedico este texto aos nossos filhos e aos filhos dos outros, mesmo que sejam filhos e/ou netos dos nossos inimigos públicos nº 1 pelo descaso com que tratam a coisa pública, a Educação do nosso país: com escudos e cacetetes.
Parabéns, Maíra! A você a a todos que estão com você, alunos, professores e pais da Fundação em 2007.
Profª Geanete L. Franco
formanda da turma de letras de 1975 da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Sto André – mãe da Maíra L. Franco – fomanda da turma de 2007 em Pedagogia e já aprovada no concurso de SP ao magistério Público.

