“Todos sabiam que menina estava no meio dos homens” … não indignados por mais de uma hora. Não mais de uma hora!
Não gosto de escrever sobre esses aspectos extremados de nossa sociedade que se diz civilizada. Mas não consigo me calar.
Se tivesse o poder da comunicação em minhas mãos – eles também estão em mãos masculinas – chamaria neste instante uma greve geral.
Hoje, sim, deviamos ter um, dois ou mais dias de paralização geral das mulheres e de todos que se sentem oprimidos pelo sistema patriarcal em que ainda subvivemos.
Mas o que fazer com essa delegada, Flávia Verônica Pereira, e com essa juíza, Clarice Maria de Andrade? autuá-las na forma da lei? mas se elas não cumpriram nem os princípios básicos da constituição, qual consideração devem ter de nossa parte?
Não digo da governadora por que qual foi a influência direta dela no caso?
E como fica o dia da consciência negra? do tralhador? da criança? da mulher? Percebem? são datas isoladas refletindo a escravidão sócio-econômica em que o modelo político nos coloca em nível mundial. São estados de escravidão e/ou exploração em diferentes graus de aparência. É o império da maior valia no tráfico, na industrialização, no extrativismo, no intercâmbio… enfim, em todas as formas de organizações instaladas nas diferentes ligações e intervenções humanas.
Calar-nos já não é possível!
Em nossas escolas, quando com nossas crianças sabemos de casos e casos de pais que usurpam do direito de ser e têm em suas crianças fontes de prazer sexual gerando o altíssimo grau de casos com violência doméstica que estão nos registros dos poderes públicos na guarda da infância e da família.
Mas o que está perverso em nossa forma sócio-econômica que não conseguimos evoluir no controle dessas questões?
É a promiscuidade retratada em nossas telas? ou ela só retrata uma parte da verdade em que vivemos e que continuamos a fazer de conta que tudo está caminhando para o melhor?
É a estratégia do capitalismo gerando em progressão geométrica a não valia das relações humanas?
É a miséria a que a maioria da população do planeta está submersa? Miséria intelectual e de valores? Valores igualitários e fraternos?
É a solidão humana sem perspectivas que nos torna complacentes e não indignados por mais de uma hora. Não mais que uma hora… Geanete
“A delegada a que se refere a mulher é Flávia Verônica Pereira, responsável pela prisão em flagrante de L.
A juíza é Clarice Maria de Andrade.
No dia 14, finalmente, o Conselho Tutelar de Abaetetuba recebeu uma denúncia. Anônima.
A delegada foi afastada de suas funções no dia 20 e a juíza está sendo investigada pela Corregedoria de Justiça. A Folha tentou sem sucesso contatar ambas por telefone na sexta.
O mais constrangedor, porém, é que todo esse horror foi patrocinado por instituição do Estado (a Polícia Civil) comandada pela petista Ana Júlia Carepa, governadora do Pará” (Fl de SP).

