Taiwan culpa China por violência no Tibete
As autoridades de Taiwan condenaram neste sábado a “ofensiva” da China durante os protestos registrados no Tibete, onde pelo menos 10 pessoas morreram, restando apenas cinco meses para os Jogos Olímpicos de Pequim.
O Ministério das Relações Exteriores de Taiwan manifestou em um comunicado “sua preocupação com as violentas manifestações provocadas pela ofensiva militar chinesa e condena com veemência a ação sem piedade da China, que viola os direitos humanos”.
“A China quer que acreditem na existência de um crescente clima de paz porque recebe os Jogos Olímpicos, mas na realidade aponta para Taiwan com seus mísseis e reprime as aspirações de liberdade e democracia do povo tibetano”, informa o texto.
Taiwan e China se separaram em 1949 ao término de uma guerra civil, mas Pequim continua considerando-a parte de seu território e ameaça invadir a ilha se o governo de Taipé declarar formalmente a independência.
O governo do Tibete no exílio informou hoje ter recebido confirmação de 30 mortes nos confrontos em Lhasa (capital tibetana). “Confirmamos aproximadamente 30 mortos, e estamos recebendo registros números superiores a 100 mortos, mas não podemos confirmá-los”, disse à agência de notícias France Presse o alto funcionário do governo tibetano no exílio Tenzin Taklha.
“Há várias pessoas no Tibet que estão enviando mensagens a familiares que vivem no exterior”, disse, em Dharamshala (norte da ??ndia), onde fica localizada a sede dos exilados tibetanos e de seu líder espiritual, o Dalai Lama. Os jornalistas foram proibidos de entrar na cidade.
Fechada para turistas
A região do Tibete foi fechada para turistas estrangeiros devido aos distúrbios ocorridos nesta sexta-feira em Lhasa, de acordo com agências de viagens da cidade de Chengdu (sudoeste).
O governo chinês afirma que os distúrbios deixaram ao menos dez mortos, segundo a agência oficial chinesa de notícias “Xinhua”.
Desde o início da semana, os monges budistas se manifestam no Tibete e nas regiões próximas onde vivem as minorias tibetanas, por ocasião do 49º aniversário do levante de Lhasa, que levou o Dalai Lama ao exílio.
Focos de incêndios foram detectados no mercado da antiga cidade de Lhasa, o Barkhor, que circunda o principal mosteiro da capital tibetana, segundo os bombeiros e um grupo de defesa dos direitos dos tibetanos.
Na segunda e na terça, a polícia chinesa dispersou a multidão em Lhasa com bombas de gás lacrimogêneo durante manifestação de centenas de monges budistas, alguns dos quais exigiam a independência do Tibete.
Ao menos 200 pessoas lideradas por monges budistas iniciaram um protesto nesta sexta à tarde em Xiahe, cidade de uma região tibetana do noroeste da China.
Em Xiahe está localizado o mosteiro Labrang, um dos templos budistas fora da região autônoma tibetana.

