Suplicy, 30 anos depois na FAFIL – Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Sto. André – SP/Brasil
Após a aula pública de negociação e de diálogo ministrada pelo Senador Eduardo Suplicy no anfiteatro da FAFIL, restou-nos uma inquietação. Um fato não solucionado:
- Pela lei de proteção ao menor, o ECA, a criança e o adolescente não podem ser constrangidos, molestados, insultados…etc, etc. por seu professor e isto tem sido seguido quase a risca. Tem, inclusive, sido em algumas oportunidades base para uma perseguição de diretores a professores …
- Se assim é, como fica a nossa visão com um Reitor que não dialoga e, ainda, por 2 vezes em um espaço menor a 30 dias, manda a tropa de choque invadir, bater fisicamente e moralmente seus alunos e professores? Como fica? Como fica?!!! Agora estou confusa… não sei se devo dar aula às minhas crianças ou se devo pegar o rabo de tatu e lhes mostrar que sou autoridade máxima!
- O que o Sr. me aconselha, reitor Bermelho? É que meus ex-alunos estão confusos…querem saber quando deixaram de ser alunos e quando ultrapassaram a linha do pode ou não pode serem espancados.
- E seus meninos? Reitor? onde estudam? estudam? transgridem? Só uma lembrança: eu não lhe dei o direito de governar com seu péssimo exemplo minha moça universitária. Em nenhum momento assinei tal procuração. Então:
Não transgrida, Reitor!
Não defenda o patrimônio que é público e que, portanto, não lhe pertence!
Não invada nossas prerrogativas!
Não ultrapasse a linha vermelha! Não a ultrapasse!
Como lhes falava amigos,
É interessante como às vezes algum acontecimento nos pega de surpresa. E que surpresa!
O prédio da FAFIL continua no mesmo bosque de Tangará de 30 anos atrás. É sem sombra de dúvidas o prédio mais bonito do complexo da Fundação Santo André.
Ao você chegar lá em uma tarde de sábado sob um sol de 30º, o momento é mágico se seu olhar se dirigir ao alto e ver e sentir a energia das árvores que a rodeiam. Diria ser um momento poético como poético são os que lá dentro estudam e fazem acontecer.
Enquanto o pessoal da engenharia, da medicina, da administração reluta em fazer a história de suas vidas sob a égide do medo de perder o ano pelas ameaças que muitos de seus professores e diretores fazem ao lhes cortar o “direito” de mudança de datas para as provas, etc., etc…
Lá no seio da FAFIL, jovens com as vestes e cabelos que se assemelham a todos os jovens rebeldes da época retumbam sons de guerra à logística burguesa que se instalou sob o governo Petista contemporâneo de Santo André, na pessoa do seu reitor.
A perfeição da organização do movimento meio a aparente desorganização, com certeza coloca a nós membro dos DA’s da década de 70 em desvantagem.
Ah, sim. Com certeza a tecnologia a serviço da organização mudou e é algo fantástico.
Ao chegar na FAFIL por volta das 13h de ontem, tive a oportunidade de colocar meia dúzia de pequenos cartazes em apoio ao movimento e logo em seguida…
Em seguida, a honra de adentrar ao anfiteatro da FAFIL, o “pinicão”!
Dias atrás, ele esteve fechado sob pena da justiça “guardando” os pertences do grupo de estudantes que simbolicamente acampavam nas salas de aula e que foram confiscados pela Tropa de Choque na madrugada de 4ª para 5ª feira última...na calada da noite. Sempre na calada da noite!
Nessa ensolarada tarde de 20 de outubro, um sábado de primavera, ele foi reaberto.
Os “meninos”, meninos somos todos nós que trazemos n’alma da imaginação a alegria de um dia termos conquistado Passárgada. Permitam-nos essa denominação.
Os meninos preparam o som, a imagem, o vídeo…
A solenidade a ser vivida e vivenciada pelos estudantes e professores como manda a tradição da Fundação há mais de três décadas vai começar.
Tudo preparado. Abrem a porta do anfiteatro.
Tudo está como há tantos anos atrás quando o Presidente do Diretório Acadêmico “Dois de Abril” abria solenemente a semana de Ciências Socias, ou quando nós do grupo do curso de Letras também o ocupávamos para constituir a nossa semana.
Ele, o anfiteatro, está como se os anos não tivessem passado, nenhum fio de cabelo branco!
Sentei um pouco na parte de trás como sempre gostei para ter a visão do todo.
Bermudas, chinelos, dreads e rostos bonitos começaram a desfilar e todos foram pegando seu assento… muitos preferiram as cadeiras do lado de fora do “pinicão” pelo calor e pela liberdade de ficar.
Um pouco de testes! som:1,2,3…luz… imagem…som:1,2,3…
Alguém diz lá da porta:
- E agora? por onde o Senador vai passar? precisa desocupar o chão do corredor do meio!
E respondemos aqui, acolá:
- Calma! ele é um Senador igual a nós, não é o Odair (Odair Bermelho – atual reitor da Fundação).
E realmente, ele se porta como um de nós, anônimos na construção da nossa história.
Senador Eduardo Suplicy adentra ao “pinicão” com calça e camisa claras como parece ser seu rosto. De sua alta estatura sorri e demonstra alegria por estar retornando a FAFIL, onde já esteve por diversas vezes, mas que já transcorreram 30 anos desde sua primeira visita a nós.
Como ele bem lembrou, esteve por aqui na Santo André de vermelho, quero dizer de Bermelho, há 30 anos atrás, trazendo em sua comitiva o então presidente dos metalúrgicos, simplesmente Lula que na época foi meio que convidado a se retirar da sala dos estudantes de Economia por um dos professores que pensou que a figura de Lula não era um bom exemplo para os meninos. Lula se retirou e ficou esperando o Suplicy conversando com alunos da FAFIL em uma sala qualquer.
O Senador nos saúda e explica que não pode atender ao chamado para aqui estar nos dias que antecederam a retirada dos grevistas pela Tropa de Choque porque estava em Brasília, mas que tentou de todas as formas falar com o Reitor, porém este por diversas vezes mandou dizer que não podia atender o Senador ora por estar almoçando, ora por estar em reunião e que assim se seguiu…
Logo a seguir, a sala escurece e assistimos a um vídeo já editado com o histórico do movimento de 2007.
Momento de silêncio, muitos dos presentes se emocionaram com as imagens de sua própria história cravada por imagens que não se perderão no espaço/tempo, apenas se transformarão ao se somarem a tantas outras imagens dos movimentos sociais reivindicatórios.
O vídeo foi respeitosamente aplaudido por todos nós de pé por quase 5 minutos.
Suplicy, permita-me senador, começou uma série de ligações ao vivo por seu celular dando início a sua negociação. Ligou para o reitor Odair e deixou recado na cx postal. Ligou ao prefeito, João Avamileno do PT e deixou recado. Ligou à vice-prefeita e esta disse não poder vir para a Fundação por estar do outro lado da cidade. Ligou ao Deputado Siraque do PT e este disse não querer vir porque se sentiu ofendido pelo movimento quando queimaram umas faixas suas na cidade.
- Deputado, estive nessa passeata em que queimaram uma faixa sua em frente a igreja central de Sto André e, nesse dia, o movimento já se desenrolava por algumas semanas…
O reitor voltou a ligação e ficou por uns 10 minutos com o Senador pelo seu celular. Ao final da conversa, o Senador nos informa que Odair se sentiu desprestigiado com seu pronunciamento em Brasília no dia do Professor, 15 de outubro, sem ter conversado com ele antes e…
Pareceu-nos, que Bermelho deu um "pito" no Senador.
Entre as falas do deputado Ivan Valente; do presidente da Cãmara de Vereadores de SA; do presidente do movimento “Tortura nunca mais”; dos docentes universitários da USP; dos professores e alunos da Fafil e demais centros da Fundação…
Tivemos uma aula prática sobre o exercício da democracia. Não foram assumidas em suas palavras o partidarismo, mas sim o supra-partidário pelos membros da mesa. Não foram desprezados os indicadores do diálogo, porém a conclusão dessa aula foi:
- “Bermelho na Educação, nunca mais!”.
Através dessa negociação inter-celulares ao vivo, foi marcada pelo acessor do Prefeito de SA, uma audiência para 2ª feira próxima, dia 22, às 15:30h no Paço Municipal com a presença do Prefeito, do Senador Suplicy, de 5 professores e 5 alunos da Fafil, do Dep. Ivan Valente, alguns outros políticos do partido dos trabalhadores e do Advogado do movimento que também esteve presente em todas as atividades desenvolvidas pelo movimento.
“A política, não a politicalha, é a arte da negociação. A democracia acompanha a arte da política, envolvendo maiorias e minorias pelo diálogo.”
Saudações acadêmicas!
Profª Geanete Lavorato Franco
Ex-aluna da FAFIL – turma de 1975

