Em homenagem a Rosária, minha mãe.
Poderia ser um simples “happy birthday to you”. Mas não é.
É uma homenagem àqueles que se rebelaram em forma de poesia de rima livre, de músicas com acordes dissonantes, de ações à rivelia. Àqueles que sairam da mesmice, das bases familiares rompendo com os cordões umbilicais que atravessam os milênios de nossas existências sem a nada nos levarem.
Parece que só ganhamos a liberdade no esquecimento do Alzheimer, na solidão das estepes ou mesmo na transposição do limear da vida terrena.
Tenho visto, tenho sentido o desalento dos nossos velhos, o descaso da nossa sociedade para com eles, a nossa inabilidade para compreendê-los, a nossa irresponsabilidade para com a vida por detrás das nossas “consciências” holísticas, políticas, transformadoras.
Tenho nos visto perdidos diante do nosso futuro tão próximo e tão presente.
Com o som da música que ela não ouve, meu beijo escondido em sua face descorada e em seus olhos opacos pelo esquecimento de ver e ser, aproximando-se do inonimável.
Bjs a você, mãe, nestes 82 anos de sonhos desconhecidos, calados e guardados em seu pequeno coração de mulher, filha, mãe e talvez mais quantas outras vidas arquitetadas. Geanete

