Depois de 31 anos, a greve continua! por Geanete

Queridos amigos Educadores e amigos dos Professores,

O vídeo abaixo, com a tecnologia de 30 anos após o início das greves dos professores nas ruas de toda SP registra uma nova geração de professores que repete as mesmas reivindicações dos mestres já aposentados – já se passaram 3 décadas desde a primeira greve contra o governo de SP sob o mando de Paulo Malluf.

Reivindicações:
- reajuste salarial, incorporação de gratificações, piso salarial do DIESE e, por incrível que pareça, os governantes que não se aposentaram e os partidos que eram revolucionários continuam desapropriando o saber do direito de todos, levando o país à mais vergonhosa produção científica ao exportar nossa ciência e intelectualidade ao fundo da marginalidade por falta de verbas. E o cruacial, a aproriação do saber pelo povo continua sendo texto de manobra política, social e classista.

Ainda não chegamos a 40% da população esquentando os bancos das universidades… ainda não chegamos a erradicação do analfabetismo… mas conseguimos chegar aos índices mais baixos de aproveitamento escolar das Américas.

Senhores do poder, por nós colocados em tal posição, afirmam ter gasto alguns milhões com cursos de capacitação aos professores das redes de ensino público sem terem conseguido resultados positivos em sala de aula.

Vejamos, reflitamos, mais uma vez:

- Se pelo menos há 30 anos, desde que o governo de SP é conduzido pelos políticos do PSDB, então Prof. Franco Montoro, a história do Ensino Público é palco do desejo de universalização do saber e não consegue esse seu objetivo, tendo passado por essa titularidade o Sr. Mário Covas por 2 gestões, agora o Sr. José Serra…
Quem será que está errado? o Governo ou os Professores?

Devemos ter nos anais históricos dos Sindicato dos Professores na sua parte Educacional, os registros das propostas para melhoria na qualidade do Ensino Público de SP durante todas essas gestões políticas…com certeza temos.
Em todos os debates públicos e/ou Congressos Educacionais ao longo dessas décadas, além de propormos mudanças estruturais radicais nas escolas, propusemos, sempre, a re-integração do professor ao mundo do saber a partir de uma vida mais digna com direito a livros, cinema, teatro, lazer e acima de tudo moradia e comida, fundamentos básicos por direito de todo cidadão.

Mas o que esses governos propuseram?

Apropriando-se das teorias educacionais de cunho eminentemente socialista por nós elaboradas, passaram a se utilizar de forma despudorada desses discursos como sendo seus e a implantarem a mais vergonhosa proletarização dos EDUCADORES.

Hoje, temos a classe social de poder aquisitivo alto e/ou médio-alto com seus filhos estudando em algumas das escolas particulares tidas por sua excelência – assunto discutível quanto ao que é ter um ensino de qualidade – e o restante, filhos dos assalariados, estudando nas escolas públicas tidas como de baixa qualidade, segundo as formas e fontes de pesquisas aliadas aos ógãos públicos nacionais e internacionais.

Pois bem, raros amigos da educação – sim raros porque pouco se lê sobre a Educação – a falta de perspectiva dos Educadores os transformaram em Professores; a falta de condições em sala de aula os levaram às salas de Direção, de Supervisão ou de Coordenação, desde que longe das salas de aula – salvo honrosas menções; a falta de condições também os levaram a vender como camelôs nas salas dos professores.

Os livros?

Ah, estes ficaram para as horas de insônia. Como dizia meu velho professor de Latim na Fundação Santo André, na década de 70: – O que fazem que não estudam à noite nas horas de insônia? Saudades… apesar de muita coisa, Prof. Felipelli – não lembro se assim se escrevia seu sobrenome.

Então, meninos e meninas, nossos novos professores, futuros Educadores:

- Não se curvem à ditadura das Secretárias de Educação que tentam fazer de seu pessoal administrativo e pedagógico meninos de recado e dos recados mais intimidadores possíveis.
- Não se curvem sob a mediocridade do poder exercido pelos representantes da continuidade do poder sem lógica social, sem ética e sem propósitos populares que se instala há centênios em proporções universais;
- Não se intimidem por pensarem. Por incrível que pareça somos dotados dessa inigualável qualidade de pensar;
- Não se intimidem por Dimenstein que sem “estar” nas salas de aula ministrando aulas, fala sobre as faltas de professores como causa da desordem educacional.

Vejam uma opinião de professor sobre as faltas em: http://www1.folha.uol.com.br/folha/dimenstein/cjornalista/index.shtml

Eu digo prá vocês, amigos Educadores e Professores, sem nenhuma reserva ou dúvida:

INTIMIDEM:

- aqueles sem base prática aliada à intelectualidade, com a sua prática e a sua teoria, aliadas;
- todos que tentam trazer a nós a culpa da ignorância coletiva do país;
- aqueles que importam o que de pior há nas culturas das Américas;
- todos que através da mídia cotidianamente nos tentam envolver na cultura do tráfico e de assassinatos sem o menor valor à vida, seja do reino animal, vegetal ou mineral;

ENCURRALEM:

- aqueles que desviam verbas públicas do ensino;
- aqueles que fazem da educação assunto de palanque eleitoreiro e /ou eleitoral.

INTIMIDEM E ENCURRALEM AQUELES QUE FAZEM DO SABER BASE PARA A ELITIZAÇÃO.

- Dêem as mãos àqueles que sabem que precisamos de uma educação de base que possa nos próximos 10 anos, no mínimo, dar sustentação a projetos mais ousados para Faculdades de bom ensino e que graduem para a construção e revisão desta sociedade que ora permite, ora premia àqueles que fazem do discurso porta para o poder, porta para a corrupção… porta para a falsificação de idelogias e de práticas dentro das próprias universidades – reduto da ciência atingido por tão forte degradação dos valores de um povo, onde a vida não vale mais do que um corpo estendido no chão – Chico Buarque – e, ora, não mais do que uma vala comum do lixão.

E por saber-me neste momento quase que vencida, abraços aos de rostos esmaecidos pela visão do esquecimento dos tantos alunos que já passaram por nós, aos professores das redes públicas deste Brasil de gigantes; de gigantes no tamanho, na descompostura de muitos, mas também na vontade de ver e saber, ter e ser, conduzir e ser conduzido de muitos outros.

Abraços aos professores que em praça pública ainda crêm em seu destino!

Afinal, parece que ter Educação de boa qualidade e laica passou a ser coisa de crença! Profª Geanete Lavorato Franco

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2 comentários
  • Márcio Lima

    Resposta ao Senhor Cidadão de Papel – Gilberto Dimenstein – do Jornal FOLHA DE SÃO PAULO.
    O senhor Gilberto Dimenstein está no mínimo equivocado ou desinformado. A culpa por uma suposta …. na educação – como sugere Dimenstein – não é da parte dos professores. Se existe este, seria mais apropriado indicar o endereço da própria Secretaria Estadual da Educação – que apesar de estar nas mãos de um mesmo partido (PSDB) há 12 anos, vem a cada ano implantando diferentes e estapafúrdias políticas públicas educacionais na rede estadual de ensino.
    A que Dimenstein menciona e atribui aos professores – sugerindo por analogia que os docentes são… e que escola é – vem de fato das sucessivas e diferentes políticas desnorteadas que os governos tucanos adotaram e ainda adotam para o setor; comprovando apenas que o PSDB não sabe como enfrentar de forma minimamente competente a questão da educação em São Paulo.
    A que Gilberto Dimenstein sugere como da parte dos professores, vem, portanto, de outra fonte: daqueles que buscam transformar as escolas públicas em… e que são irresponsáveis o bastante, por exemplo, para deixarem as escolas estaduais sem coordenadores pedagógicos ao longo de todo o primeiro bimestre de 2008.
    O Sr. Dimenstein revela não ter a mínima dimensão da asneira que escreveu, assim como das reais necessidades das escolas públicas e dos alunos pobres que menciona em sua coluna. Por ser considerado por seus iguais como um, o Sr. Dimenstein deveria estar informado sobre o que escreve, exercendo sua profissão de forma ética e não fazendo analogias maldosas e injustas para com uma categoria profissional já tão descriminada e injuriada junto à sociedade e as esferas de governo.
    Gilberto Dimenstein – ao contrário dos dignos professores que ofendeu – tem acesso aos grandes meios de comunicação controlados por poucos e que reproduzem a ideologia de poucos, mas que são instrumentos de grande circulação e que por difundir esta visão de poucos para muitos, reivindicam falsamente a função de formação da opinião pública ou de um junto à República.
    Esta greve, Sr. Dimenstein, é pelo pobre – pelo pobre do professor pobre que trabalha em jornadas desumanas para sustentar sua família, recebendo parcos salários e sem condições adequadas de trabalho produtivo; e pelo pobre do aluno pobre que é obrigado a estudar em verdadeiros depósitos de alunos e que não apresentam condições materiais mínimas para serem chamados de escolas.
    Dimenstein deveria ser mais responsável com o que escreve e nortear sua conduta dentro da ética jornalística, sem pretender ser um cidadão acima do bem e do mal. Suas analogias além de injustas e caluniosas, são covardes; além de ofensivas aos professores, são desprovidas de ética jornalística e verdade. Sua analogia serve apenas para a edificação de uma que interessa aos poucos – os mesmos que controlam a grande mídia. Ao permitir que tamanha asneira fosse editada, a FOLHA DE SÃO PAULO tornou-se cúmplice na campanha difamatória que este move contra os professores.
    Em meio a tantas outras que atingem a educação pública – e ainda utilizando a sugestiva analogia de Dimenstein – os professores da rede estadual de educação são tão vítimas de um ensino transformado em.. pelo governo e pela grande imprensa, quanto os alunos pobres mencionados na coluna de Gilberto Dimenstein. Se há um ou algo semelhante na educação, o Sr. Dimenstein deve procurá-lo primeiramente nas escolas onde freqüentou e foi destacado aluno; depois, no Palácio dos Bandeirantes e na Secretaria Estadual de Educação.

  • Olá, Márcio!
    Gostaria de publicar seu comentário no meu blog em forma de artigo e não de comentário. Vc me autoriza?
    Caso me autorize, dá para vc fazer uma pequena revisão no seu texto completando algumas idéias?
    E tem como vc se apresentar a mim…quero dizer: onde está lecionando? se leciona ou está em outra atividade? tem atuação política partidária? enfim alguma coisa sobre vc… não para tornar público, caso não queira, mas para eu conhecê-lo.

    Obrigada! Profª Geanete Lavorato Franco

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