Ao fundo Luciano Pavarotti…
clike
Ao fundo Luciano Pavarotti. À frente, a tela do PC. Entre o quente e o frio, eu. Entre a vida e a morte, acordo nesta manhã ensolarada de 7 de setembro com 365 dias a mais em meu caderno de memórias terrenas. E um dia a menos no de Pavarotti. Entre o real e o irreal, sua voz ocupa todos os espaços possíveis desta mente que aos 57 anos teve a graça de já ter vivido entre o possível e o impossível da vida simples e cotidiana por nós que passamos por aqui em anonimato.
Sua voz penetrante, escandalosamente forte e enviada dos deuses, continua ecoando, ressoando, vibrando em cada conecção possível com nossas células, reduto de todos os segredos da nossa organização enquanto seres vivos, porém sem nenhum conhecimento após nossa morte.
Tento com palavras abstratas traduzir o abstrato do que a voz desse Tenor sem pátria me traz quando seu canto se espalha e ecoa em todo nosso ser. Indescritível a sensação de amor, saudade, fraternidade e tantos sentimentos que sua música me traz.
Sentimentos são tão abstratos quanto o segredo de sua partida. Sempre imagino que seres como ele, Pavarotti, partirão muito velhinhos, dormindo, com o coração leve e a alma desperta. Não consigo imaginar o que nos fazemos para um?alma que canta e canta… partir sob a égide da degeneração.
Nesse instante ele canta o clássico ?volare??? e seu coração se pinta de azul, sua voz de escarlate e sua alma desliza por sobre as ondas da Secília ou quem sabe por ser agora atemporal, voa célere sobre todas as emoções que seu canto lhe deve trazer. Está desfilando em seu carro cor de arco-iris sobre o mundo das suposições, do inquestionável porque dele nada se sabe. E desse mundo onde noss’alma não tem nome, eu imagino que um dia nos reconheceremos e sem tempo e sem matéria poderei ouvir ao vivo seu canto e do seu canto me encantar mais e mais, tanto que poderei também encontrar a tantos que hoje o tempo e o espaço me impedem de ser e estar. Tantos que amo e que o tempo me impediu de estar.
Nesta manhã de tantos setembros, de tantos sóis, uma homenagem de quem no anonimato faz parte desse grande Oceano de sons e amor.
Tudo foi abstrato porque abstrata é a vida, o som, a imagem, o ser, o querer, o estar.
Aos amigos desta vida que partiram Dalila, Rosa Maria, Neuza; aos amigos que aqui estão… o silêncio de uma voz no silêncio da minh’alma sob o céu de suas canções de Nápoles.
Incrível, sobre esse céu que viajo…uma imagem se apróxima…a de um amigo.
Sem desculpas por este aniversário saudoso!
Imperdível:
http://videos.uol.com.br/video/luciano-pavarotti-homenagem-u2-live-ave-maria-0402CCB913E6
Ge-silícia ou simplesmente Geanete

