Linha do Desejo por Moacyr Pinto da Silva
Andei pensando…
Quando o meu mundo era apenas o sítio dos meus país, na roça, no interior do estado de São Paulo, meu objeto de desejo era achar uma goiabona madura no único pé existente no quintal de casa. Todos os dias eu dava uma procuradinha!
Houve um tempo, ainda na minha infância, já no subúrbio da cidade grande, que meus olhares se voltavam para todos os arbustos existentes nos quintais e terrenos baldios que a minha vista alcançava. Eu estava sempre procurando uma forquilha melhor e mais bonita para o meu estilingue e de vez em quando me dava bem!
Na mesma época, eu e meus amigos procurávamos por bons paus que pudessem dar traves para os gols do nosso campinho de futebol. Que dificuldade!
Já mais grandinho, adolescente, passei a desejar uma boa tábua (podia ser até uma porta velha, desde que fosse lisa) que pudesse servir de mesa para que eu pudesse jogar pingue-pongue com os meus amigos também no bairro pobre onde morava. Eu havia aprendido a gostar desse esporte no Senai!
Na mesma época, conheci a irmã de um amigo meu, a mais bela e mais séria das meninas das redondezas. Gaguejante, falei em namoro com ela!
Depois dos dezoito anos, passei a sair com o fusquinha da minha família e acabei mudando meus programas e parando de sair em turma!
Na mesma época, voltei a estudar: fui fazer madureza ginasial e descobri um mundo novo. A partir daí assumi o controle definitivo dos rumos da minha vida!
Como será que hoje estão sendo traçadas as linhas do desejo e em relação ao futuro da nossa garotada? Aí está uma coisa que eu gostaria de saber!
Continuo pensando…

