Ao amigo distante II – Se de repente

Sarau - 17/02/2009


No último dia 11 escrevi da saudade que sinto de um amigo distante… não sabia que mais depressa do que pensava ia ver reunidos muitos amigos distantes na festa da Renatinha. Enquanto Renatinha comemora seus belos 15 anos, os nossos já vão longe, reunimos nossos sonhos distantes, mas presentes em cada fio dos cabelos brancos que já representam a 3ª geração de uma amizade que se fez no tempo e no espaço ao som das canções e poemas poeticamente unidos pelos nossos amigos músicos/letristas. Poetas incansáveis no registro do cotidiano de uma vida não tão poética no seu dia-a-dia, mas lírica em muitos outros.
Se soubesse que lá estariam reunidos graças ao coração generoso da nossa anfitriã, a Alcione, que tão bem organizou a festa de sua menina, amigos distantes no espaço, mas juntos no tempo, não teria sentido tão bem o que escrevi em “Ao amigo distante I -Se de repente?… Porque se de repente eu me preparei com tanto entusiasmo para essa festa-encontro sem sabê-la é porque eu não a sabia em palavras, mas por certo o coração, mente daqueles que não esquecem, já sabia da alegria pelo encontro de tantos que reinou na noite última de 14 de fevereiro.

No momento mágico, desses em que a chuva acalanta e o calor libera, foi bonito de se ver naquela mesa ao lado, como numa mesa de bar, tantos rapazes que o tempo transformou em senhores reunidos falando sobre o quê não se sabe. Ali, naquela mesa, o tempo deve ter sido curto para as rimas que deviam estar desfilando em suas mentes, talvez inibidas pelo pouco tempo para tanto a se dizer. Nesses instantes é melhor falar e ouvir amenidades. Elas cabem melhor. As rimas ficam para depois, ao lembrarem daquele momento lindo de guardar junto aos nossos sentimentos eternos. Em outras mesas, as segundas e terceiras gerações, nossos filhos e netos, já não tão cientes do que acontecia naquela noite mantinham a pergunta que sempre nos fazem:
- Como um grupo de amigos de diferentes cursos de uma mesma Faculdade pode sem encontros previamente marcados, mas sim eternamente marcados, manter essa amizade transpondo as ausências do dia-a-dia?
Isso é dessas coisas inexplicáveis pelas palavras, só sentidas pelo coração. E pensar que estão nessa relação também os agregados (rsss), esposas e maridos que chegaram e ficaram. Uns ficam mais, outros menos tempo no convívio, mas todos ficaram.
E nesse turbilhão de sentimentos, com a música agitando no palco, a menina ansiosa pela valsa, o riso fácil pela boa energia contagiante, os olhares se entrecortando e o tempo sendo pequeno para uma conversa mais profunda, deixamos a festa rolar e com ela nossas palavras no coração dizendo:
– Estou feliz por te ver! Estou feliz por te ver. A você também. E a você, logicamente. E você…
A noite mágica passou, parece que a saudade apertou. Penso ser as lembranças reavivadas pelas chamas do inesperado, do indissolúvel, da amizade. No final, tenho a certeza do que escrevi em ?Ao amigo distante? no último dia 11:

- …se tudo de repente nada foi, nada é, apenas luz projetada, luzes estelares que ao se findarem aqui já não estaremos? Estrela, luz, demoram anos luzes para sumirem no espaço? então, nada a temer. Não veremos nossas imagens projetadas, luzes no espaço, se apagarem porque juntos apagaremos com o Universo?
Então, não há o que te temer? Podemos continuar a imaginar que nossos sentimentos são eternos.
Meu agradecimento aos amigos Jorge e Alcione pelas belas imagens inesquecíveis registradas em nossos corações na noite dos 15 anos de sua menina, Renatinha. Geanete

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