Àqueles que enamorados amam o amor, antes de tudo – All for love
Acordei com saudades de algo que deve ter sido um dos melhores momentos da minha vida. Talvez porque tenha sonhado com algum elo perdido… Quando acordo assim, sinto receio por declarar meu gosto piegas do romantismo diante dos amigos mais antigos e eternamente comprometidos com a música popular brasileira – será mesmo piegas?! –
e dos meus amigos ainda jovens e jovens rouqueiros.
Mas o que pegou mesmo em minha memória foram meus dezoito anos, os bailinhos no “Fumaça” lá na Lins de Vasconcelos em São Paulo, onde sob as luzes que menos iluminavam do que nos agitavam como seres pré-fantásticos que seríamos, descobrimos que melhor era dançar ou namorar ao som de Je T’aime, principalmente se estivéssemos profundamente enamorados. Dançar ao som cultural ou revolucionário das nossas “Jovens Tardes de Domingo” ou dos grandes Festivais do “7″ onde nossos poetas comunicaram ao mundo as primeiras notas de Tom, Chico, Caetano… não era possível a nós.
Je T’aime escandalizou o mundo. Tanto a burquesia como o proletariado não acreditavam no que ouviram por meses nos primeiros lugares das paradas musicais. Creio que hoje ela ainda ganharia de toda a parafernalha que vende a bunda brasileira e talvez escandalizasse mais. Talvez!
Esqueceram do que falo? Relembrem…
Jane Birkin & Serge Gainsbourg – Je T’aime… Moi Non Plus
Tom, Vinícius e tantos outros bons brasileiros eram prá se ouvir e cantar, dançar não… ou sim?
Tom Jobim+Vinicius de Moraes+Toquinho+Miúcha
Hoje me pergunto o que faz de nós, românticos, sermos piegas? O que faz de nós que nos arrepiamos ao ouvir cantores que cantam, que soltam a voz e dizem alto sobre seus amores e dos amores dos outros, coisa que não acontece por aqui, sermos considerados anti-populares? Será que a origem no escambo? ou a afrodescendência presente em mais de 50% da nossa população nos levou a outros rítmos e letras? Mas e os tantos outros imigrantes que por aqui estiveram e estão? Ou mesmo por que os negros da América do Norte também têm grandes e profundas vozes? diferentemente dos nossos? ou os nossos afrodescententes também teriam a mesma participação e competência vocal se tivessem tido outra estrutura social, estrutura de oportunidades e mesmo se não tivéssemos em nossa cultura a religião católica? perguntas que não calam…
É 1968, 1969…A mídia não tinha o poder de fogo que hoje tem em nossas mentes e muitos… muitos mesmo de nós dançavam ao som dos cantores italianos (penso que naquela época, muitas jovens gostariam de se casar com um italiano que soubesse cantar. O dificil foi realizar esse sonho já que nossa geração era a terceira ou quarta descendência dos italianos que aqui chegaram fugindo da fome e miséria que se alastrou na “bota” da Europa, Itália, pós 1ª Guerra Mundial).
Hoje, elas, as italianas superam seus fratellos cantando assim…
Laura Pausini e Lara Fabian – La Solitudine Live in Rome cantam na Piazza di Spagna
(Praça da Espanha é considerada uma das mais belas praças da Europa)
Como cheguei até Laura Pausini e nesse vídeo na Praça da Espanha, ela canta com Lara Fabian, cheguei também a Lara em JE T’AIME – LIVE ” NUE -2002 “.
E delas retorno ao imortal romântico, Pavarotti com Celine Dion, mais uma das musas contemporâneas das músicas “piegas” d’almas enamoradas que se perpetuam por séculos.
E Romeu e Julieta? por onde andam? Por aqui?! rssss Geanete</strong>

