“Lugar de Médico é na cozinha” – Comida Viva – Dr. Alberto Gonzales, autor
Há um texto de Ros´Ellis Maior Moraes, nutricionista, por mim encontrado desde 2001 em uma página da Internet, com 46 páginas e à princípio sob o título de ?No Caminho da Alimentação Viva? que fala com muita propriedade sobre os valores da alimentação que mantém os nutrientes vivos, tão necessários ao nossos organismo vivo. O texto nos diz dos alimentos geradores de vida – sementes germinadas (brotos) – aos mantenedores de vida – verduras cruas, frutas frescas, sementes e castanhas.
Diz também de como iniciarmos uma reeducação alimentar eliminando paulatinamente os alimentos ?mortos?, aqueles que nos retiram energia ao invés de nos dar.
Ao repassarmos alguns desses conhecimentos, muitas, a grande maioria das pessoas o ignora.
Achamos importante, então, essa forma de divulgação do Dr. Alberto Gonzales . Primeiro que por ele ser um médico aos olhos do grande público, incluindo a imprensa já lhe garante crédito.
Cabe aqui um parênteses, em nossa cultura acadêmica aprendemos e aplicamos a regra de que ?científico? pertence aos letrados, desprezando a cultura de ?pai para filho?. Coisas do mundo globalizado.
Mas como dizia, essa forma de praticar a cultura viva e não livresca do Dr. Alberto é sem dúvida um grande passo para a diminuição das doenças e da não prevalência do capital gerado pela ?indústria? da doença.
Por isso, público aqui o resumo escrito do programa televisado sobre sua prática com seus clientes na cidade de Campos de Jordão/SP.
Dr. Alberto é o autor do livro “Lugar de Médico é na cozinha”
Reportagem: Ismar Madeira (Campos do Jordão, São Paulo)
Prato do dia: verduras, legumes, frutas e sementes germinadas. É a comida viva!
“Eu tomava remédio para pressão e não tomo mais. Emagreci dez quilos com uma alimentação natural que qualquer um pode fazer em casa”, conta o aposentado Orlando Asse dos Santos.
Não é milagre. É o resultado da orientação médica, que seu Orlando recebeu em um posto de saúde de Campos do Jordão, em São Paulo. Tudo de graça, pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Foi com o médico Alberto Gonzalez, pesquisador da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que ele e muitos outros pacientes começaram a aprender que comida é remédio.
“Há influências bastante claras na obesidade, na constipação, na inflamação crônica, na dislipidemia que é o desequilíbrio do colesterol, nas doenças gastrointestinais e respiratórias e no diabetes”, aponta Alberto Gonzalez.
Mas, afinal, o que é comida viva?
A receita é simples: nada pode ser cozido, frito ou assado. Os alimentos são de origem vegetal. E para começar bem o dia, um suco poderoso.
Se uma pessoa que não tem uma doença diagnosticada nem se sente mal resolver experimentar esse alimento vivo, que resultados vai sentir?
“É muito importante que eu, me apresentando como médico, diga que alimento vivo é bom para quem está doente, mas o alimento vivo é uma alimentação para quem está sadio e quer se manter sadio”, esclarece Alberto Gonzalez.
Decidi experimentar. Em dez dias, que resultados eu veria?
“Em dez dias, vai haver uma grande liberação de água do seu corpo. Muita água retida vai ser eliminada. Você também vai notar mudanças no âmbito da digestão e da disposição, principalmente após as refeições, Você vai se sentir muito bem disposto”, adiantou Alberto Gonzalez.
Doutor Alberto troca o jaleco pelo avental. Hora de arregaçar as mangas e mostrar como se prepara o suco.
“O grande equipamento é um liquidificador. Depois de tudo lavado, você começa a fazer o suco. Primeiro, picota o pepino. O pepino vai para perto da hélice, porque ele é um grande gerador de água. Aí vem a maçã. Vamos extrair a água do pepino, da maçã e das verduras orgânicas disponíveis com uma cenoura. E, finalmente, as sementes de girassol germinadas. Você pode usar só trigo, girassol, quinoa, gergelim, amêndoa. O ideal é a semente germinada, ensina Alberto Gonzalez.
Este é o grande segredo da comida viva: grãos germinados. E se você já está se perguntando como vai fazer para conseguir essas sementes, não se preocupe.
“Em seguida, coamos. Fica uma massa consistente. É um coador de voal, que qualquer um pode ter. As pessoas com mais recursos usam uma centrífuga. É o café da manhã. É bom que seja um copo grande. Tem pão, manteiga, café e leite, só que em forma natural, viva e repleta de nutrientes vivos”, ressalta Alberto Gonzalez.
Não é um suco ralinho, parece um leite ou algo muito cremoso. É em um casarão que doutor Alberto Gonzalez ensina receitas de alimentos vivos. Alguns pacientes são encaminhados para o local e aprendem que, além do suco, podem fazer pratos coloridos e saudáveis, como a caldeirada de frutos do mato.
Legumes ralados, picadinhos. Basta prensar os alimentos, uma técnica feita com as mãos, para controlar a temperatura da panela. Afinal, nos chamados alimentos vivos, legumes e verduras não podem ser cozidos.
“Se começar a queimar as mãos, tem que desligar. Se não queimar a mão, não vai queimar os alimentos também”, explica uma funcionária do hospital.
A carne é uma questão de herança cultural. Eu não vou chegar em uma aldeia de pescadores e dizer: parem de comer peixe. Comam o peixe, mas incluam na sua vida os alimentos que vêm da mãe terra. Porque eles vêm com a informação que você precisa”, diz Alberto Gonzalez.
“Não posso dizer que sou vegetariano. Uma vez por mês eu não recuso um churrasquinho, mas também não sou escravo da alimentação. Como tudo que eu gosto, com uma certa regra”, conta seu Orlando.
“Sempre digo que tudo que é verde faz bem para o que é vermelho. Quem está com doença cardiovascular volte-se para o reino vegetal. Alimente-se de tudo que é verde possível que a recuperação cardiovascular vem a reboque”, aconselha Alberto Gonzalez.
Em casa, seu Orlando segue a orientação diariamente e faz questão de plantar suas verduras: “Eu aproveito qualquer cantinho. Uma jardineirinha da loja de R$ 1,99, um pouquinho de terra e brota um trigo bonito”.
A grama de trigo usada no suco nasce de sementes comuns compradas no supermercado e simplesmente jogadas por seu Orlando na terra. “Todos os espaços, o quintal do vizinho, por exemplo, eu coloquei trigo há 15 dias e já está nascendo. Temos couve e outras hortaliças espalhadas no meio da vegetação. Uso de sete a oito qualidades para fazer o suco por dia”, conta.
Será que é mesmo tão fácil assim? Nos dez dias em que testamos o suco também experimentamos a preparação dele, até em cozinhas de hotel. Se eu consegui, qualquer um consegue.
Mas, antes, é bom lembrar: estávamos no restaurante de um hotel na cidade turística de Campos do Jordão, e as tentações estavam servidas. Eram 9h. Eu jantei no dia anterior, às 20h30. Ou seja, havia mais de 12 horas. O estômago já estava reclamando. A mesa do café da manhã era farta. Em vez de optar por tudo o que eu normalmente comeria, fiquei só com as frutas e o suco verde.
Logo pegamos a estrada. Acompanhamos doutor Alberto Gonzalez até a casa de um paciente. A viola dá o tom. O lavrador Benedito Vicente da Rosa leva uma vida simples. Mora com a mulher no alto de uma colina, em um lugar onde não tem luz elétrica. Mas sobram ar puro e produtos tirados da terra sem agrotóxicos. Faltava saber como aproveitar todos os seus nutrientes. Foi o que seu Benedito aprendeu nas consultas pelo SUS. Visitas periódicas fazem parte do Programa de Saúde da Família.
Há um ano, o lavrador mal conseguia ir ao posto de saúde, por causa de uma trombose na perna esquerda, uma ferida enorme não cicatrizava.
“Estava muito machucado, era uma ferida só. Tinha um roxo que parecia uma lesão só. Tomei o suco e fechou tudinho, foi uma beleza. Eu já estava até desenganado”, comemora o lavrador.
Doutor Alberto Gonzalez explica: “Os vasos da perna dele não chegavam até a intimidade do tecido, por conta do problema vascular. O suco promoveu o fenômeno denominado neovascularização, de crescer novos capilares onde não tinha”.
Mas o médico alerta: “Se você está usando remédios e quer mudar para o suco, consulte um profissional médico. A pessoa que tem um problema grave de pressão arterial ou problema grave de perfusão sanguínea do próprio coração não pode parar de tomar o remédio. Eu trabalho usando remédios e o suco. Os remédios vão sendo tirados à medida que os resultados com o suco vão aparecendo. E isso depende da adesão do paciente”.
Seu Benedito se empenhou de verdade para ver o resultado. Afinal, o que já seria difícil na cidade grande poderia até ser impossível para quem vive sem energia elétrica sem um liquidificador.
“Tentei socar no pilão, mas espirrou muito. Tive que inventar outro modo. Daí, foi no ralador. Achei que foi importante”, diz seu Benedito, que colhe os ingredientes, rala e espreme tudo com as mãos. “É um verdadeiro remédio. A perna sarou que é uma beleza! Não tem mais nada, está forte. Já estou imaginando até jogar bola. Eu gostava muito de jogar bola. Fazer isso todo dia é difícil, mas sem esforço ninguém consegue nada”.
A germinação dos grãos é que dá força ao alimento, potencializa os nutrientes. É o que garante a mais antiga pesquisadora da comida viva no Brasil, a designer e professora Ana Branco, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ). A primeira semente foi ela que plantou. Há 15 anos, Ana Branco reúne conhecimentos que ela passa adiante.
Preste atenção: é o passo-a-passo para você também aprender a germinar as sementes na sua casa.
“Colocamos a semente de girassol de molho na água. Vamos dormir e a semente vai acordar. São oito horas de molho na água. É o tempo de dormirmos e ela acordar. Na manhã do dia seguinte, jogamos a água fora e deixamos escorrendo em algum apoio por mais oito horas. Depois de oito horas de molho na água e oito horas no ar, é só darmos uma lavadinha antes de consumirmos. Podemos olhar o que aconteceu com a semente germinada. Dá para ver o narizinho que está nascendo. Nesse ponto, podemos consumir. Assim, comemos a energia vital contida nela. E ficamos forte que nem ela”, diz Ana Branco.
Para ela, uma filosofia de vida que germinou e deu frutos. Muitos já aprenderam os segredos da alimentação viva em cursos e em uma feira na PUC-RJ.
“Nós começamos com o suco quando eu estava grávida da minha terceira filha. Meu marido faz o suco, fazemos para a família toda. Isso já acontece há três anos”, conta a professora Rosana Cunha Pinto. “O grande barato é chamar as crianças para fazerem junto com você. Pede para uma pegar uma maçã, pede para outra segurar uma hortelã. E assim a gente vai cortando e preparando o alimento junto”.
Eu bebi suco durante dez dias. E não foi difícil, mesmo fora de casa, dormindo em hotéis, comendo em restaurantes. Logo no primeiro dia, eu fiz exames de sangue que mostraram que a minha saúde vai muito bem. Taxas como colesterol e glicose, por exemplo, estão ótimas. E, por causa disso, eu resolvi não mudar mais nada na minha alimentação. No almoço e no jantar, continuei comendo o que estou acostumado e gosto: arroz, feijão, carne.
Mesmo assim, substituindo só café da manhã, o suco fez efeito. Perdi 2,1 quilos. Eu também senti outras mudanças que não podem ser medidas. A primeira: comecei a sentir menos fome nos últimos dias. E a segunda: mudança no apetite. Já não tenho tido mais tanta vontade de comidas pesadas. Pode ser resultado do suco.
Bom, barato e saudável
Reportagem: Ismar Madeira (Rio de Janeiro)
Quem vê o motorista particular Clóvis Evaristo pechinchando o preço da abobrinha e do pimentão e escolhendo salsinha e cenoura na feira nem imagina que até outro dia ele nem passava perto de comida leve. Cozinhar, então…
Dependendo da localidade da feira, em cada cidade, os preços podem ter variações. Clóvis pesquisa bem na hora que está começando a xepa. Então, dá para negociar os preços e, assim, escolher o cardápio.
Dependendo das ofertas, ele decide o que fazer para o almoço. Clóvis aprendeu a cozinhar com o chefe, o médico e nutrólogo João Curvo, que orienta: “Já que temos a ciência de que as frituras, as gorduras e os açúcares nos causam tanto mal, podemos diminuir a freqüência, não necessariamente bani-los”.
E foi assim que o motorista Clóvis virou professor de culinária. O curso é para empregadas domésticas que precisam aprender a cozinhar para patrões que precisam emagrecer. Dependendo do caso e da casa, além da obesidade, colesterol alto, hipertensão e diabetes são os problemas mais comuns. Veja a dica de Clóvis: “Cozinhar na tampa da panela. É muito fácil, prático e rápido”.
Para cozinhar no vapor, basta enrolar um pano de prato envolvendo os legumes comprados na feira e virar a tampa em uma panela com água fervente. São necessários sete minutos.
“Se você cozinha na água, quando joga a água fora, todos os nutrientes vão embora. No vapor, não acontece isso. Você mantém todos os nutrientes nos legumes”, explica Clóvis.
Não precisa de nenhuma panela especial. O músculo é a carne mais barata e muito nutritiva. Alguns temperinhos depois, surge um prato bonito. A batata fica uma delícia. A carne fica macia, fácil de cortar.
No total, dá para fazer cinco pratos com R$ 21. Cada prato sai por R$ 4,20 e ainda sobra muita coisa. É barato, saboroso e saudável.
A renda mensal de Clóvis aumentou 20 % com as aulas de culinária. “É um bom negócio saber cozinhar hoje em dia”, afirma. Ele garante: vale a pena mudar o cardápio e aprender novas receitas.
“A Sandra rejeitava, não gostava. Ela era muito atenciosa porque queria aprender. Mas, a princípio, a intenção dela era só fazer para a patroa”, conta Clóvis.
O que a empregada doméstica Sandra da Conceição Oliveira aprendeu no trabalho, ela acabou levando para a casa dela.
“Hoje vai sair uma lasanha de abobrinha, arroz integral e uma salada”, anuncia para o almoço. Que tal? É bem diferente das antigas receitas dela.
“Antes, a minha lasanha era de massa, queijo, muito presunto e massa de tomate. Eu achava que estava fazendo bem a mim e a minha família. Fazendo o curso, eu aprendi que nada daquilo estava fazendo para mim nem para as outras pessoas. Mudou muito a minha vida. Eu mesma não imaginaria que chegaria lá. Eu pesava 95 quilos. Agora, estou pesando 71 quilos. Me sinto melhor, mais leve. Me sinto de bem com tudo com a vida, com o corpo. Me sinto muito mais saudável. Eu tinha muita azia e cansaço. Hoje em dia, não tenho mais. Nunca tomei nenhum medicamento. Então, para mim, cansaço e azia foram acabando naturalmente. Depois que fiz o curso, fui ver que era gordura”, conta Sandra.
E se as novas receitas de Sandra agradaram à família dela, parece que no trabalho, os pratos foram um sucesso.
Sandra acredita que, na prática, o mercado de trabalho está valorizando quem tem a qualificação de saber cozinhar de forma mais saudável.
“Eu, por exemplo, ganhei um aumento de salário. Tive contato com duas outras alunas que também foram gratificadas. Nós fomos reconhecidas pelos patrões. Isso abre as portas de trabalho, porque sabemos fazer pratos”, diz Sandra.
E que pratos!
“Antes comíamos muita massa, carne frita, gordura e muita batata”, lembra Bianca Oliveira, filha de Sandra.
“No início, eu não gostava, mas tive que me acostumar”, diz Raquel Oliveira, filha de Sandra.
“Eu fui convencendo aos poucos. Fui fazendo e comendo. Então, elas me viam comer e experimentavam. Foram gostando, até que agora todas nós comemos. Foi o exemplo da mãe”, acredita Sandra.
E é bom lembrar: a lasanha é de abobrinha.
“Você come de forma saudável e, ao mesmo tempo, sensibiliza a sua família e a empregada, que sensibiliza a família dela. Então, quando você aprende que determinados sucos e alimentos fazem bem, passe à frente isso, porque isso melhora em um todo. Vai ser bom para todo mundo”, aconselha João Curvo.
CALDEIRADA DE FRUTOS DO MATO
Ingredientes:
Hortis:
1 maço de couve-flor
1 maço de brócolis
1 berinjela
½ repolho branco ou roxo
½ maço de cebolinha
3 unidades de shiitake grande
outros produtos de horta a gosto
Sementes:100g de trigo
100g de cevadinha
100g de gergelim branco
Temperos:
Miso, cúrcuma, louro, pimenta dedo-de-moça, almeirão, chicória, salsa ou coentro e azeite extravirgem.
Modo de Fazer:
Picotar o brócolis, o repolho e a berinjela. Prensá-los com miso até brotar o néctar. Picotar os outros hortis e colocá-los na panela de barro em fogo baixíssimo, prensando levemente com os temperos até atingir o amornamento. Adicionar shiitake fatiado junto aos prensados. Servir com azeite extravirgem.
Receita: Oficina da Semente
ENERGIZANTE NATURAL DE VINAGRE
Ingredientes:
1 colher rasa de mel
1 colher de vinagre
água com gás
Modo de Fazer:
Dissolver o mel no vinagre. Em seguida, adicionar a água gasosa, sem mexer, para não perder o gás.
Como alternativa à água com gás, pode-se usar água de coco ou chá verde.
MOLHO DE VINAGRE PARA SALADA
Ingredientes:
1 maçã-verde sem casca e sem semente
3 colheres de vinagre de maçã
1 colher (sopa) de azeite
1 dente de alho pequeno
sal a gosto
Modo de Fazer:
Misturar todos os ingredientes e usar para temperar saladas verdes.
MÚSCULO COZIDO COM ESPECIARIAS
Ingredientes:
1kg de músculo cortado em cubos pequenos
400g de cebola picadinha
5 dentes de alho
1 colher de chá de páprica doce
1 colher de chá de páprica
sal a gosto
3 colheres de sopa de óleo vegetal
água para cobrir o músculo na panela
Modo de Fazer:
Em uma panela de pressão pré-aquecida, acrescentar o óleo e dourar bem as cebolas. Acrescentar o alho e, em seguida, o músculo. Acrescentar as pápricas e o sal. Tampar a panela e esperar apitar. Após o apito, baixar o fogo e deixar cozinhar por 20 minutos.
Receita: Clóvis Evaristo, motorista e professor de culinária
SUCO DE LUZ DO SOL
Informações:
Cortar uma maçã em pedaços pequenos e tirar as sementes grandes. Colocar no liquidificador. Usar um pepino como socador para auxiliar a extrair o líqüido que mora dentro das hortaliças. Acrescentar os grãos germinados*, as folhas verdes comestíveis, o legume e a raiz escolhida na proporção indicada, variando as hortaliças sempre que possível e privilegiando as de produção orgânica. Coar em um pano e beber logo em seguida.
Legumes e raízes: cenoura, abóbora, maxixe, batata-doce, inhame, quiabo, couve-flor, abobrinha, nabo, beterraba.
*Como germinar grãos
1 – Colocar de uma a três colheres de sopa de grãos em um vidro e cobrir com água limpa.
2 – Deixar de molho por uma noite (8 horas).
3 – Cobrir o vidro com filó e prender com elástico. Despejar a água e enxaguar bem sob a torneira.
4 – Colocar o vidro inclinado em um escorredor em um lugar sombreado e fresco.
5 – Enxaguar pela manhã e à noite. Nos dias quentes, é preciso lavar mais vezes. Os grãos iniciam sua germinação em períodos variáveis. Em geral, estão com sua potência máxima logo que sinalizam, o processo do nascimento, quando ficam prontos para serem consumidos.
Sugestões de sementes:
Todas as sementes comestíveis, tanto pelo homem como pelos pássaros: girassol, painço, niger, colza, aveia, trigo, linhaça, arroz, soja, centeio, gergelim, grão-de-bico, amendoim, lentilha, nozes, castanha-do-pará, amêndoas, ervilha, feno-grego etc.
Receita: Ana Branco, designer e professora da PUC-RJ
Horta no telhado
Reportagem: Ismar Madeira (São Paulo)
Quem acha que é difícil ter uma horta na cidade é porque ainda não conhece a turminha de Lucas Zema, de 3 anos.
“A gente molha em todos os lados para a sementinha acordar e ir nascendo. Depois é só lavar e comer”, comenta o menino.
“Muitas dessas crianças não comiam saladas em casa e algumas hoje até trazem cenoura picadinha com sal, tomate picadinho no lugar de salgadinhos para o lanche”, aponta a coordenadora pedagógica Cristiane Salvagnini.
Para essa mudança acontecer, bastou aproximar as hortaliças das crianças. E elas crescem bem ali, pertinho da mesa: na laje de um pequeno terraço da escola.
“Projetamos essa horta em cima de uma garagem, vendo que aqui tem uma boa disponibilidade de sol”, diz o técnico agrícola Marcos Victorino, que há 25 anos pesquisa o uso de técnicas agrícolas em grandes centros urbanos. Entre o “mar de edifícios” de São Paulo, no meio dos telhados acinzentados, lá está uma outra horta, que ele plantou em uma faculdade. E os resultados são surpreendentes.
Não é sempre que se vê um pé de alface grande, que cresceu assim exatamente por causa do lugar onde foi plantado. Um dos principais alimentos das hortaliças é algo que existe de sobra no ar nas grandes cidades: o gás carbônico.
“A planta tem ficado de um tamanho maior do que no campo. Ajuda bastante, inclusive, na resistência da planta, porque ela tem uma concentração maior de fibras por esse alto teor de carbono no grande centro. E o alimento fica saudável. Nós não temos problemas nenhum”, assegura Marcos.
A horta brota no telhado. Isso mesmo! Telhas de fibra de cimento são usadas como base. Nelas, cabe uma grande quantidade de terra. Mas se a intenção é plantar ervas ou temperos, serve até um cestinho de prendedor de roupa.
“Se eu tenho um muro onde bate bastante sol, posso fazer uma horta nele. Eu também posso utilizar um lavador de arroz. Eu plantei manjericão em um cestinho de lixo. Tudo isso encontramos com facilidade, são materiais baratos, encontrados nas lojas de R$ 1. Paguei R$ 1 em cada um e fiz a horta”, conta Marcos.
Se você acha que já viu tudo, já pensou em uma horta móvel? A versão plantada em um caixote com rodinhas pode ser levada para onde quiser.
“A idéia é fazer uma horta que eu possa guardar na garagem. Na hora que eu saio de casa para trabalhar, levo a minha horta e deixo tomando sol”, explica.
Fácil e prazeroso. Uma lição de saúde que nunca é tarde ou cedo demais para se aprender.
“A horta do futuro é essa: perto de casa, perto de onde as pessoas vivem. Porque ela se integra não só à alimentação mas também à mudança da qualidade de vida”, define Marcos.
O poder do vinagre
Reportagem: Renato Biazzi (Adamantina, São Paulo)
Vinho acre: o vinho que azeda. Na Antiguidade, sem boas condições de armazenamento, azedava mesmo. Assim, surgiu o vinagre.
“Vinagre acompanha muito a história do vinho. Desde que se produziu o vinho, provavelmente se tem o vinagre”, conta Wilma Spinosa, coordenadora do curso de engenharia de alimentos das Faculdades Adamantinenses Integradas (FAI).
Um dos temperos mais antigos da Humanidade, ele continua cheio de mistérios. Alguns deles começam a ser desvendados em um laboratório em Adamantina. São descobertas que têm tudo para agradar ao paladar, fazer bem à saúde de muita gente. Tratado quase sempre como coadjuvante na mesa e no prato dos brasileiros, o vinagre ganhou, no laboratório, o papel principal.
Destaque merecido. Pesquisas no mundo inteiro revelam que o vinagre têm os chamados compostos fenólicos, que protegem o nosso organismo.
“O vinagre ajuda a reduzir o teor de glicemia, controla a pressão arterial, pode ser um produto importante para a osteoporose e aterosclerose. O vinagre também tem a característica da termogenia, que é o aceleramento do metabolismo”, explica Wilma Spinosa.
Os pesquisadores das FAI, no interior de São Paulo, já constataram: os produtos mais comuns são feitos a partir do álcool da cana e pouca fruta. As frutas acrescentam ao vinagre nutrientes antioxidantes, que retardam o envelhecimento. Mas, para usufruir desses benefícios, o vinagre, assim como o vinho, deve ser consumido diariamente, em pequenas quantidades.
“Você não vai tomar uma taça ou um copo de vinagre, mas vai usá-lo para preparar salada ou no tempero de uma carne ou de outra coisa”, diz Wilma Spinosa.
Muita gente faz cara feia ao consumir vinagre. Mas que tal saber que ele tem zero caloria? Os pesquisadores criam receitas para aumentar a aceitação desse tempero “magro”.
“É um molho que a gente usa para saladas, feito com uma maçã-verde descascada, sem semente, três colheres de vinagre. No caso, eu estou usando vinagre de maçã, que é para todo o molho ficar na mesma base. São três colheres de vinagre, uma colher de azeite e um dente de alho. Usamos bem pouco sol, justamente porque o vinagre tem a característica de realçar sabor. Para os hipertensos, é um belo molho”, ensina o biólogo Estevão Zilioli.
Melhor ainda como energético natural. “Uma colher rasa de mel e uma colher de vinagre. No caso, eu estou usando mel de laranja e vinagre de laranja para os sabores combinarem. Uma colher de vinagre é suficiente para dissolver o mel”, acrescenta Estevão Zilioli.
Com o mel dissolvido, é só adicionar água gasosa, sem mexer, para não perder o gás.
“Está pronto. É muito rápido, muito simples. Assim, as propriedades do vinagre e do mel vão sendo incorporadas à alimentação”, diz o biólogo Estevão Zilioli.
Como alternativa à água com gás, pode-se usar água de coco ou chá verde e acrescentar pedaços de frutas.
“Esse é um energético natural, por conta dos minerais que existem no vinagre e que ficam diluídos na bebida. É barato e sem calorias. É muito interessante tomar após atividade física ou em dias de calor. Substitui bem o refrigerante. Sempre recomendamos um pouco para a pessoa que estiver meio indisposta na parte gástrica”, comenta Wilma Spinosa.
Seja qual for o vinagre, até mesmo o mais barato, ele pode ser melhorado com um simples truque: é só guardar o líquido em uma garrafa com pedacinhos de madeira para acelerar o envelhecimento.
“Você pode fazer com carvalho ou cabriúva. Corte os pedacinhos, deixe umas duas horinhas a 150ºC ou 160ºC no forno para secar e coloque”, ensina o biólogo Vitório dos Santos Júnior.
Aí, é só deixar o tempo que quiser. Quanto mais tempo melhor. E é possível fazer vinagre de fruta até em casa.
Fonte: http://globoreporter.globo.com

